Saúde do trabalhador: 5 exames laboratoriais que são fundamentais

A saúde do trabalhador é uma área estratégica da medicina preventiva. No Brasil, esse acompanhamento ocorre principalmente por meio do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), previsto na Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7).

O PCMSO busca preservar a saúde dos trabalhadores, por meio de avaliações clínicas e exames complementares realizados ao longo do vínculo empregatício.

Além dos exames obrigatórios (admissional, periódico e demissional), o PCMSO pode incluir exames laboratoriais específicos, definidos de acordo com os riscos presentes no ambiente de trabalho.

Veja abaixo como as análises laboratoriais podem ser decisivas para preservar a saúde do trabalhador.

1- Hemograma completo

O hemograma completo é um dos exames mais utilizados na medicina do trabalho. Ele avalia diferentes componentes do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas, o que permite identificar alterações como anemia, infecções e processos inflamatórios.

No contexto ocupacional, esse exame pode ser indicado especialmente em trabalhadores expostos a agentes químicos ou biológicos. A NR-7 prevê sua utilização em situações específicas, como exposição a substâncias tóxicas.

2- Glicemia de jejum

A glicemia de jejum mede a quantidade de glicose no sangue após um período sem ingestão alimentar. Esse exame identifica alterações metabólicas, como pré-diabetes e diabetes, que podem impactar diretamente a capacidade funcional do trabalhador e sua segurança no ambiente laboral.

O monitoramento da glicose é fundamental para prevenir complicações associadas ao diabetes, uma das principais doenças crônicas no país. Além disso, recomenda-se o acompanhamento periódico da glicemia como estratégia de rastreamento e controle da doença.

No ambiente ocupacional, esse exame pode ser solicitado em avaliações periódicas, especialmente em funções que exigem atenção constante, como operação de máquinas ou direção.

3- Perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos)

O perfil lipídico inclui a análise de colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos. Esse conjunto de exames avalia o risco cardiovascular, um fator importante para a saúde do trabalhador, principalmente em atividades que exigem esforço físico ou apresentam risco aumentado de eventos agudos.

O controle dos níveis de colesterol é decisivo para prevenir doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de afastamento do trabalho. No contexto ocupacional, o perfil lipídico pode ser incluído em exames periódicos para monitorar a saúde metabólica e orientar medidas preventivas.

4- Função renal (ureia e creatinina)

Os exames de ureia e creatinina são utilizados para avaliar o funcionamento dos rins. Esses marcadores são especialmente importantes para trabalhadores expostos a substâncias químicas, solventes ou metais pesados, que podem afetar a função renal ao longo do tempo.

A NR-7 estabelece que os exames complementares devem ser definidos com base nos riscos ocupacionais identificados, incluindo a possibilidade de danos a órgãos específicos, como os rins. A avaliação periódica da função renal detecta alterações precocemente e ajuda a evitar a progressão de doenças renais.

5- Exames de função hepática (TGO, TGP e GGT)

Os exames de função hepática avaliam enzimas produzidas pelo fígado, como TGO (AST), TGP (ALT) e GGT. Esses marcadores identificam alterações hepáticas, especialmente em trabalhadores expostos a agentes químicos, solventes ou substâncias tóxicas que podem afetar o fígado.

Estes exames podem ser incluídos no acompanhamento ocupacional quando há risco de exposição a substâncias hepatotóxicas. A detecção precoce de alterações hepáticas permite intervenção antes do surgimento de complicações mais graves.

Mantenha uma dieta equilibrada e saudável

A saúde do trabalhador depende de um acompanhamento contínuo e estruturado. Exames laboratoriais como hemograma, glicemia, perfil lipídico, função renal e função hepática ajudam a identificar alterações precocemente e a orientar decisões médicas com base em dados objetivos.

Mais do que atender a exigências legais, o acompanhamento ocupacional contribui para a prevenção de doenças, para a segurança no trabalho e para a qualidade de vida dos profissionais. O cuidado com a saúde no ambiente de trabalho não deve se limitar a um exame pontual, mas sim a um processo contínuo de monitoramento e prevenção.

Para aprender mais sobre saúde, confira outros conteúdos do blog do Laboratório Cella.

 

Fontes: Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial